O sábado era de sol. Havia um clima de "Rio 40 graus" em plena São Paulo, aquele dia. Era a semana do aniversário do Amigão, e como "Deus está nos detalhes"
(reli essa frase aqui e me apaixonei de novo por essa ideia), tudo estava perfeito. Até mesmo as pequenas imperfeições do dia foram o argumento perfeito para celebrarmos o que, de fato, merecia celebração: a vida!
Naquela manhã nos encontramos. Nós quatro. Eu, a Cibele, o Amigão e Deus. Marcamos o encontro na casa dEle. Chegando lá (o aniversariante é sempre o último a chegar, pra causar impacto, você sabe), sentamos todos um ao lado do outro (embora o Dono da casa ficasse trocando de lugar toda hora - era a impressão que eu tinha, porque quando eu bem O sentia ao meu lado, olhava pro Amigão e Deus tava do lado dele também; olhava pra Cibs e ela parecia estar falando baixinho com Ele...). Enfim, ou Ele trocava rápida e silenciosamente de lugar toda hora, pra dar atenção a nós três, ou Ele é mesmo aquela coisa que dizem... Como é mesmo o nome? Onipresente, né? Pois é. Acho que é isso.
Lá pelo meio-dia, decidimos, os quatro, dar uma volta. Era a hora do almoço, e nós, pobres mortais, precisamos desse tipo de energia também. Eu gosto muito quando o almoço não se resume a comer um prato de comida. Gosto muito mesmo. Na verdade, eu tenho a sensação de que o almoço deveria ser aquela espécie de refeição que dura três, quatro horas. E isso não é modo de dizer. É uma ideia literal, mesmo.
Quando comprei a mesa de jantar aqui de casa fiz questão de experimentar as cadeiras com essa ideia em mente. Eu dizia:
- Senhora, as cadeiras precisam ser confortáveis. Gostosas de ficar. A gente não pode ter pressa de sair da mesa. É preciso acabar de comer e não ter vontade de sair dali. Ir ficando, ficando, comendo, conversando...
Pedimos mesa pra três, e a garçonete nos colocou em mesa pra quatro - deve ter percebido que tínhamos um Companheiro... Ou talvez ela já conhecesse os modos do nosso garçom, que pra anotar o pedido sentava à mesa, como se fizesse parte do nosso grupo. [O Amigão depois nos confidenciou: "Eu desperto essa reação nas pessoas... É uma espécie de liberdade que silenciosa e involuntariamente eu dou aos garçons, pessoal da limpeza, estagiários..."]
O lugar era confortável. Não a primeira mesa indicada pela garçonete; mas a segunda, aquela que a Cibs e o Amigão avistaram de longe, era mesmo perfeita. Como disse o Amigão, "perfeita pra gente conversar e rir, sem atrapalhar ninguém". A Cibele concordou e eu concluí que a ideia que eles faziam de almoço era mesmo muito parecida com a minha...
Comemos muuuuuuuito animadamente. Eu comi até cebola, o que ninguém deve achar grandes coisas, mas que eu reconheço ser uma espécie de evolução gastronômica na minha vida... E ali, sentados... você não tem ideia do quanto, num almoço desse tipo, a gente faz e ouve confissões...
Lá pelas quatro, eu acho, saímos do restaurante. O sol continuava brilhando lá fora. Coisa mais linda de Deus!!, eu pensava. De vez em quando caíam umas folhas das árvores, na rua, e eu tive a impressão de que era Ele piscando pra mim, e dizendo: " - Ô, garotinha... eu não ía deixar o sol de fora dessa, né?"
Próxima parada... Campo Grande. Eu sempre acho um barato, isso, de uma pessoa morar em todos os Campos Grandes possíveis, e foi por isso que sugeri ao Amigão passar uns tempos em Mato Grosso do Sul, na capital, mas ele disse que agora não cogita mais mudar nem de casa, na mesma rua...
Na casa do Amigão, a cena de meses atrás se repetiu: admirar a coleção de canecas, expostas na parede; sentar no sofá; beber alguma coisa e bater papo, papo, muito papo...
Aí foi a hora maaaaaaais legal, do dia inteiro.
Mais tarde, já no caminho de volta, a Cibele me diz: "Primuska, ele não é incrível?? Como é que uma pessoa pode nos ensinar tanto sobre a vida, sobre a simplicidade, sobre a felicidade, de um jeito tão despretensioso??"
A gente fez uma pausa...
O silêncio que pousou no ar teve mais peso do que qualquer coisa que eu pudesse dizer...
Saímos dali tão leves, tão certas de que é mesmo preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã... tão certas de que Deus REALMENTE está nos detalhes... tão certas de que precisávamos ouvir aquelas histórias... tão certas de que quem tem um amigo, achou um tesouro... que tivemos uma única dúvida: "eu merecia esse encontro?"
Merecer... sei lá. Mas que a gente precisava muito ter tido aquele sábado tão feliz... disso, a gente não tem a menor dúvida!!