segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cabeça inchada



Das lições vindas do futebol para a vida uma que aprendi é que se um juizinho de porcaria anula um gol legítimo você vai lá e faz outro.E outro e mais outro e mostra que não precisa dele na sua vida.

Não se pode colocar na conta dos outros o peso da sua incompetência.
- “Eu sou assim porque meu pai era assim.”
- "Não sou safado, tenho traumas de infância porque meus pais se separaram muito cedo.Por isso não consigo me prender a mulher nenhuma.”
Desculpas...
É fato que o Fluminense jogou muito melhor que o Palmeiras que foi um fiasco em campo.E se o Palmeiras foi prejudicado ontem, no outro jogo contra o Corinthians, foi beneficiado quando o Danilo não foi expulso.
Sou Palmeirense e estou com a cabeça inchada pela derrota.Mas não sou tonto não. Não perdemos o campeonato ainda e se perdermos não será culpa do árbitro de ontem. Já faz tempo que estamos dando vexames um atrás do outro.E o time inteiro depende se o Diego Souza está ou não em bom dia.Daí outra lição para a vida.

Como o futebol é a vida.Erros e acertos. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo mas sempre aprendendo a jogar e a viver.Sem colocar a culpa nos outros pelos nossos problemas ou traumas de infância ou mesmo pela incompetência de fazer gols.

Fui dormir logo após o jogo e acordei às cinco da manhã com o barulho de vento e muita chuva. Não dormi mais. Na rua muitas árvores caídas, galhos e acidentes. A marginal deve estar como sempre parada.O trem, metrô, ônibus lotados. Tá tudo cinza mas estou pensando em trabalho e na minha mesa lotada e nas coisas que me esperam nesta segunda-feira.



O futebol foi ontem, a chuva é de hoje. Mas....apesar de tudo isto, eu tenho a esperança que teremos uma boa semana.

E tem mais uma coisa: Cafezinho não tem acento.

Bom dia!Mas bom dia mesmo!

sábado, 7 de novembro de 2009

O Sábado é um dia feliz!



Convidadas de hoje: Suzi e @cibsantos

O sábado era de sol. Havia um clima de "Rio 40 graus" em plena São Paulo, aquele dia. Era a semana do aniversário do Amigão, e como "Deus está nos detalhes" (reli essa frase aqui e me apaixonei de novo por essa ideia),  tudo estava perfeito. Até mesmo as pequenas imperfeições do dia foram o argumento perfeito para celebrarmos o que, de fato, merecia celebração: a vida!

Naquela manhã nos encontramos. Nós quatro. Eu, a Cibele, o Amigão e Deus. Marcamos o encontro na casa dEle. Chegando lá (o aniversariante é sempre o último a chegar, pra causar impacto, você sabe), sentamos todos um ao lado do outro (embora o Dono da casa ficasse trocando de lugar toda hora - era a impressão que eu tinha, porque quando eu bem O sentia ao meu lado, olhava pro Amigão e Deus tava do lado dele também; olhava pra Cibs e ela parecia estar falando baixinho com Ele...). Enfim, ou Ele trocava rápida e silenciosamente de lugar toda hora, pra dar atenção a nós três, ou Ele é mesmo aquela coisa que dizem... Como é mesmo o nome? Onipresente, né? Pois é. Acho que é isso.

Lá pelo meio-dia, decidimos, os quatro, dar uma volta. Era a hora do almoço, e nós, pobres mortais, precisamos desse tipo de energia também. Eu gosto muito quando o almoço não se resume a comer um prato de comida. Gosto muito mesmo. Na verdade, eu tenho a sensação de que o almoço deveria ser aquela espécie de refeição que dura três, quatro horas. E isso não é modo de dizer. É uma ideia literal, mesmo.
Quando comprei a mesa de jantar aqui de casa fiz questão de experimentar as cadeiras com essa ideia em mente. Eu dizia:
- Senhora, as cadeiras precisam ser confortáveis. Gostosas de ficar. A gente não pode ter pressa de sair da mesa. É preciso acabar de comer e não ter vontade de sair dali. Ir ficando, ficando, comendo, conversando...

Pedimos mesa pra três, e a garçonete nos colocou em mesa pra quatro - deve ter percebido que tínhamos um Companheiro... Ou talvez ela já conhecesse os modos do nosso garçom, que pra anotar o pedido sentava à mesa, como se fizesse parte do nosso grupo. [O Amigão depois nos confidenciou: "Eu desperto essa reação nas pessoas... É uma espécie de liberdade que silenciosa e involuntariamente eu dou aos garçons, pessoal da limpeza, estagiários..."]



 O lugar era confortável. Não a primeira mesa indicada pela garçonete; mas a segunda, aquela que a Cibs e o Amigão avistaram de longe, era mesmo perfeita. Como disse o Amigão, "perfeita pra gente conversar e rir, sem atrapalhar ninguém". A Cibele concordou e eu concluí que a ideia que eles faziam de almoço era mesmo muito parecida com a minha...

Comemos muuuuuuuito animadamente. Eu comi até cebola, o que ninguém deve achar grandes coisas, mas que eu reconheço ser uma espécie de evolução gastronômica na minha vida... E ali, sentados... você não tem ideia do quanto, num almoço desse tipo, a gente faz e ouve confissões...

Lá pelas quatro, eu acho, saímos do restaurante. O sol continuava brilhando lá fora. Coisa mais linda de Deus!!, eu pensava. De vez em quando caíam umas folhas das árvores, na rua, e eu tive a impressão de que era Ele piscando pra mim, e dizendo: " - Ô, garotinha... eu não ía deixar o sol de fora dessa, né?"

Próxima parada... Campo Grande. Eu sempre acho um barato, isso, de uma pessoa morar em todos os Campos Grandes possíveis, e foi por isso que sugeri ao Amigão passar uns tempos em Mato Grosso do Sul, na capital, mas ele disse que agora não cogita mais mudar nem de casa, na mesma rua...

Na casa do Amigão, a cena de meses atrás se repetiu: admirar a coleção de canecas, expostas na parede; sentar no sofá; beber alguma coisa e bater papo, papo, muito papo...
Aí foi a hora maaaaaaais legal, do dia inteiro.

Mais tarde, já no caminho de volta, a Cibele me diz: "Primuska, ele não é incrível?? Como é que uma pessoa pode nos ensinar tanto sobre a vida, sobre a simplicidade, sobre a felicidade, de um jeito tão despretensioso??"

A gente fez uma pausa...
O silêncio que pousou no ar teve mais peso do que qualquer coisa que eu pudesse dizer...
Saímos dali tão leves, tão certas de que é mesmo preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã... tão certas de que Deus REALMENTE está nos detalhes... tão certas de que precisávamos ouvir aquelas histórias... tão certas de que quem tem um amigo, achou um tesouro... que tivemos uma única dúvida: "eu merecia esse encontro?"

Merecer... sei lá. Mas que a gente precisava muito ter tido aquele sábado tão feliz... disso, a gente não tem a menor dúvida!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

bobão


Eu não vejo o meu patrão desde a semana passada. O homem endoidou de vez e se entregou ao trabalho  agora  só aparece em casa pra dormir. Ele me explicou que tem três funcionários e que além de cuidar do seu próprio serviço ainda tem que ensinar os outros três a trabalharem, pois são novos na função.

E foi aí que descobri o novo apelido do meu patrão dado pelos novos funcionários: "Bobão". Ah, eu vivi muito pra rir tanto desse jeito. Bobão! Nunca um apelido caiu tão bem numa pessoa como o meu patrão. Também de cada dez palavras que solta, onze são besteiras.É muito bobão mesmo.

Na hora que cheguei, a primeira coisa que o bobão perguntou:
- Você sabe porque as plantinhas não falam?
- Não bobão, quer dizer, patrão.
- Porque são mudinhas....

É pra rir mesmo bobão?

- O que uma impressora diz para a outra?
- Essa foha é tua ou é impressão minha?

Meu pai, hoje o homem tá atacado.

Era uma vez 2 pães de queijos, os 2 estavam no forno, e um pão de queijo disse:
- Nossa como aqui tá quente!
O outro responde :
- Nossa um pão de queijo falante!…

Lançaram na Terrinha o novo serviço por telefone, é o Disk-Finados:
Você telefona e ouve um minuto de silêncio!…

Tem gente que pede né?E o bobão crente que tá abafando. Será que ele vai mudar o nome do blog pra "turma do bobão"?
E o amigão, digo bobão, mandou avisar que semana que vem vai dar mais atenção ao blog, vai visitar e comentar o blog de todo mundo e vai até twitar bastante.Como se estivesse todo mundo sentindo a falta dele...





Pronto já dei o recado do bobão, agora tenho que ir pois hoje é dia de preparação pro sábado do bobão.

Maria Elite é a diarista do bobão amigão e escreve aqui toda sexta-feira. Isso quando não tá sem job, ops, aqui não é o trabalho não...E nem sou tão bobão assim. Bem como ia dizendo, a função dela por aqui é preparar a casa para receber as visitas do bobão patrão no sábado. Tudo aqui é verdade, a única falsa mesmo é ela.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Seu pai tem boi?



Hoje do nada eu lembrei da "Pit". A senhora que fazia faxina na Ogilvy e que de um jeito bem brusco pedia licença para retirar meu lixo ou limpar minha mesa. Não falava nada e estava sempre de cara amarrada, por isso o apelido de "pit".

Comecei a brincar com ela todas às vezes que ia à minha mesa.E quando passava pelos corredores e ela estava limpando uma parede ou vidraça eu brincava:

- Vai ter festa?

No ínicio muito séria respondia que sempre limpava os vidros e as paredes que não precisava de festa para isso. Isso quando respondia.Com a minha insistência a conversa foi tomando um tom mais humorado:
- Vai ter festa?
- Vai mas viado não entra!

Dali em diante nós começamos a conversar e iniciamos uma grande amizade e o apelido Pit foi trocado pelo nome Val. Comecei a cuidar dela e tive a chance muito grande de ajudá-la de várias maneiras inclusive incentivando-a vender os produtos da "Natura" entre outras coisas.Isto porque insisti muito em cumprimentá-la todos os dias. Não tinha a intenção de mudar nada apenas fazia minha parte e aquele rosto amarrado e sofrido foi se transformando aos poucos.

Saí da Ogilvy em 2005 e não sei mais por onde anda, mas sua imagem ficou comigo e sua história mudou muito meu modo de tratar as pessoas que trabalham comigo.Sempre procuro dar uma atenção especial não só aos faxineiros, mas também o porteiro do prédio, o cara do elevador.

Um simples "Oi, bom dia" é capaz de transformar o dia de uma pessoa.E a gente por tabela acaba lucrando com isso também.

O ponto de ônibus é um pouco longe de casa, mas sempre que entro no ônibus o motorista me reconhece simplesmente porque ao entrar eu digo:"Oi, boa noite!". E ele sempre para na esquina da minha rua  encurtando minha caminhada.

Todas às vezes que eu encontrava a Pit e dizia "oi", ela respondia:

- Oi, teu pai tem boi?

"Oi! É uma das primeiras palavras que aprendemos quando bebês, mas uma das últimas que pensamos em usar quando adultos. Na corrida interminável para obter alguma coisa, parece que não temos mais tempo para essa expressão tão básica. É uma pena, porque dizer "oi" é mais do que ou apenas dizer "oi". É o reconhecimento de uma existência. É uma pausa, ainda que rápida, para afirmar o valor do outro".(Seleções 10/2009)



Vejo tantas pessoas escrevendo e gritando sobre mudanças e vejo estas mesmas pessoas incapazes de dizer um "oi", ao vizinho do andar de baixo, ao passageiro ao lado no ônibus.

Eu topo mudanças, mas que comecem por aqui mesmo ao lado, ali na rua, lá na esquina.Você topa?

Então mande um "oi" para pessoa mais próxima de você.E se de repente após ouvir um "oi" ela  perguntar "seu pai tem boi?". Dê um sorriso de volta.Pode ser a Pit, daí você me avisa.



 
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